domingo, 29 de setembro de 2013

ANJO

O calor do teu corpo quando me abraça
Transpassa os limites do meu pensamento
E sedento quero mais que aquele
Simples carinho desse anjo que enlaça.

Seu jeito distante, mas tão presente
É paradoxo ente o sonho e a realidade,
Uma fenda nas estradas da paixão,
Do encantamento da saudade.

Nessa aridez que se principia no sertão,
Vou vendo a vegetação
Que segue à minha frente
Enquanto te sinto onírico...
 Sonho adormecido, ao meu lado.

Toques involuntários de pernas,  ombros e mãos,
São pequenos furtos que pratico
Na expectativa que despertes da viagem que fazes
E que me olhes mais
E que me tenhas no teu coração.

As estradas prosseguem
E sei que no fim dessa viagem
De calor, aridez e luz
Nos despediremos como  amigos
 Nos falaremos vez em quando
Para que não se perca no tempo

Os breves momentos roubados e intensos.

domingo, 15 de setembro de 2013

Um novo espaço para a cultura

Durante um tempo adiei a minha decisão de ter uma coluna semanal nesse jornal, pois faz alguns anos que deixei de lado minha veia de jornalista – embora não formado – para me dedicar mais intensamente ao teatro e ao magistério. Confesso que muita coisa mudou nesses anos, e o jornal que se faz hoje está muito à frente daquele que fiz até o início desse novo milênio, principalmente no tocante à política e à cultura. Sobre política pretendo não falar, embora todo ato de escrita é um ato político, pois incide sobre ele pensamentos, idéias e ideologias. Sobre cultura, arte, lazer e entretenimento, procurarei dar algumas pinceladas, principalmente porque temos bons equipamentos e manifestações artísticas na Região do Caparaó e nem sempre sabemos lhes dar o valor que merecem.
Moramos numa região rica em belezas naturais, de grandes talentos brotados de suas serras quer sejam na música, no teatro, nas artes plásticas ou na dança; haja vista a exportação de artistas para o Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina, e que brevemente poderão estampar as páginas de cadernos de cultura de grandes centros. E que surjam outros Ronilsons, Amandas, Nices e Joões em nosso celeiro cultural.
Mas nos concentremos aqui, agora... Este ano não tivemos o Festival de Música de Alegre, todavia tivemos em agosto o Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, que pela repercussão nas redes sociais foi um grande sucesso. Entre atores estritamente de teatro, tivemos nomes televisivos como David Lucas (Orelha, de Malhação) e o ex-big brother, o capixaba Marcos. No entanto, já é passado e a organização já começa pensar em 2014.
Setembro está aí, trazendo a primavera, a festa das cidades de Dores do Rio Preto e de Guaçuí para entreter seus moradores. Também teremos importantes circulações culturais, como acontece hoje no Teatro Fernando Torres, às 20 horas, com o recital poético “Meus poetas... Minha Ilha”, com o ator Markus Konká, dentro de uma parceria com a Secretaria de Estado da Cultura – Secult-ES e com a Prefeitura de Guaçuí, com entrada franca. É um bom momento para os que supostamente amam a cultura, saírem de suas confortáveis cadeiras frente às tevês e prestigiar uma integração de literatura, teatro e música. Uma boa pedida também para professores e alunos, visto que conhecerão um pouco mais da literatura capixaba.

Por essa semana é só. Espero que curtam a coluna, compartilhem as informações, discutam e também deem sugestões. É mais um espaço que se abre para a divulgação de nossa cultura.

(Coluna semanal  "Cena Aberta" no Jornal Folha do Caparaó, aos sábados)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cortina Aberta

Tudo perdeu o sentido...
O figurino exposto na arara
O som saindo do aparelho
O foco marcando a cena.

Tudo perdeu a razão de ser...
O adesivo no chão marcando o palco
A cortina aberta esperando o ator.
A deixa do texto para a ação.

Tudo ganhou outra forma
Como a maquiagem aberta na pia
A luz do espelho ainda acesa
O cenário exposto ao léu.

Tudo tem outra razão de ser
Quando o eu é mais forte que o nós
Quando a vaidade supera o coletivo
Quando o pessoal vai além de um todo.

Quando o que faço mais importante
Quando o que fiz não interessa mais
Quando a arrogância minha ou sua
Destrói sonho que não satisfaz.

Sou eu na ponta de uma escada
Na escala de marionetes com elásticos
E as máscaras caem, sobressaem
A representar personagens de justiceiros.

Ou heróis e heroínas de lanças nas mãos
A punir os vilões, bandidos e troladores
Com seus pudores e verdades
Sem olhar o espelho das próprias mãos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

SONETO DA VIDA


Compreender o vazio que no peito acolhe
Que tolhe os sonhos mais profundos
E fere a alma que vagueia pelos caminhos
Em busca de retirar os espinhos da dor.

Não entender que mãos estendidas
Saem feridas no trabalho e nas paixões
E transformam corações  até então aquecidos
Em adormecidos cubos de gelo pela ingratidão.

Perceber que o limite nos faz tão pequenos
E carentes de sermos amenos, como um barco
A seguir pelo lago, em busca de paz.

Fortalecer nossas entranhas tão estranhas
Para que nossas façanhas, mesmo que tão simples

Sejam revigoradas pelas nossas criações.

sábado, 6 de julho de 2013

Gaia

A tarde se finda dourada
No horizonte contínuo.
Águas plácidas, caminheiras,
Regadas pelas vinhas de um porto.

Aves, céu, pontes, morros...
Povo sorridente, acolhedor.
A recitar poesias, sonhadoras,
Cantigas de amor-amigo,
Nunca de mal dizer.

Não sei que se passa em meu coração.
Talvez seja reflexo do voo de pássaros,
Belas gaivotas,
No céu azul profundo,
Nesse Douro a provocar tantas emoções.

Talvez a deusa Gaia,
Protetora mitológica da Terra,
E denominação desta cidade,
Mexa com meus sentimentos
E estremeça minha razão.
E como um ébrio,
Devido a tantos tragos de vinho,

Vou seguindo o que meus olhos veem

quarta-feira, 13 de março de 2013

TEMPO DE POESIA


                                                                    À professora Ivanete da Silva Glória Dalmácio


Houve um tempo em que se falava das flores
Falava-se da lua prateada a enfeitar o céu
Falava-se do mel dos olhos da doce menina
Falava-se da manhã raiada que pensava perdida.

Houve um tempo de corações brandos e ternos
De homens de mãos estendidas, fraternos.
De beijos roubados num portão
E a matéria das matérias eram sentimentos.

Houve um tempo em que da ilusão se fazia versos
Que não se era escravo do tempo e da hipocrisia
Que mesmo de dia, estrelas pipocavam no ar
Em busca da criação, da composição, do sonhar.

Houve um em tempo que da chuva sonetos brotavam
Que trovadores enfeitavam a rua com acordes
Enquanto olhares cruzavam as esquinas
À procura de suas musas, elegantes senhoras.

Houve e há um tempo que é permitido extrair do presente
A matéria que nos faz sensíveis e ao mesmo tempo fortes
Para compor uma obra – mesmo que não seja prima –
Mas que prima por nos encantar sendo poesia.

Houve e há um tempo, que mesmo moderno,
Tem garimpeiros das emoções – por isso – poetas.

14 de março – Dia da Poesia

domingo, 6 de janeiro de 2013

Poesia




Doce poesia
que embala o corpo
e o meu pensamento.
Que transforma o momento
numa melodia.
Que encanta os olhos
que leva a vida
numa magia.
Doce poesia...
São dores,
São alegrias,
são dias de solidão
tornando-se canção,
transmitindo harmonia.
Doce poesia
dos calos da enxada
aos olhos da deusa,
das mãos do mendigo
aos beijos de amor.
São momentos...
é o calor do homem.
Doce poesia
que me embala
nos momentos
que os olhos choram
mas também sorriem.