domingo, 6 de janeiro de 2013

Poesia




Doce poesia
que embala o corpo
e o meu pensamento.
Que transforma o momento
numa melodia.
Que encanta os olhos
que leva a vida
numa magia.
Doce poesia...
São dores,
São alegrias,
são dias de solidão
tornando-se canção,
transmitindo harmonia.
Doce poesia
dos calos da enxada
aos olhos da deusa,
das mãos do mendigo
aos beijos de amor.
São momentos...
é o calor do homem.
Doce poesia
que me embala
nos momentos
que os olhos choram
mas também sorriem.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

ANTES DO FIM DO MUNDO


A vida nos oferece a possibilidade de realizar muitos sonhos. Alguns possíveis e outros nem tanto. E a poucos dias do fim do mundo, peso na minha balança o que fiz e o que deixei de fazer para que esses sonhos se realizassem.
O sonho de constituir uma família foi concretizado. Esposa, casal de filhos, uma boa casa, um carro, e um cachorro... vira-lata, na verdade, mas defendeu meu lar por mais de dez anos. Segundo seu veterinário, um street-dog, já que lhe faltava uma raça específica. A profissão também foi importante, não fui jornalista de graduação, mas exerci a profissão durante anos. E naquela época, nos anos 80/90, a profissão estava em alta.
Não consegui ser cantor, dançarino ou atleta. No entanto tinha vontade de ser artista – virei ator, diretor e autor de teatro. E com isso, pude viajar por muitos lugares e assim concretizei outros sonhos de conhecer determinadas cidades do país, pelo menos algumas capitais, até mais distantes como Belém do Pará.
Como pisciano, adoro o mar e cachoeiras. A praia me fascina, as ondas, a areia, a preguiça de manhã debaixo da sombrinha, a cerveja, o picolé e o bate-papo com os amigos nos verões de Itaipava, em Itapemirim. As cachoeiras, bem essas ficaram no tempo de adolescência, quando me refugiava no interior das fazendas que circundam Guaçuí.  Paisagens bucólicas que procurava pedalando minha “magrela”, assim chamavam as bikes da época.
Mas o que posso fazer ainda a pouco tempo do fim do mundo? Há sonhos que se tornam complicados de serem vividos devido a inúmeros contratempos de ordem financeira e profissional. No entanto, como o mundo vai mesmo se acabar e não vou voltar para sala de aula e nem para os serviços do teatro, então seria o momento de conhecer a Grécia – para desvendar os segredos da esfinge – ou visitar às terras de meus bisavós italianos, a Ilha de Sardenha, na Itália. A história e a mitologia exercem em mim um grande fascínio. E levaria comigo minha família, pois compartilham comigo também esse desejo.
Antes, despediria dos amigos, dos colegas de trabalho, e de todos familiares – mais de quatro dezenas, que quando se reúnem numa confraternização de aniversário, parece mais uma grande festa. E diria para eles: foi muito bom ter compartilhado tanto momentos maravilhosos, e se o mundo não acabasse agora, faríamos mais festas, afinal tem semana com três ou mais que é difícil conciliar agenda.
Como disse, sou de peixes e adoro mitologia. E o que uma coisa tem a ver com outra? Nada. Mesmo sendo de peixes, nunca fui bom em águas. Que Netuno me perdoe. Prefiro o ar. Dessa forma, no meu último dia no mundo subiria a uma grande montanha, de frente para o mar, e voaria de asa delta, lembrando Ícaro, o mitológico personagem. Então, pousaria numa praia deserta e assistiria, ao lado da minha família, ao por do sol e o desaparecer do mundo neste 2012, se possível ouvindo Bolero de Ravel, plagiando a Casa Puebla, no Uruguai.
(Carlos Ola)

domingo, 25 de novembro de 2012

UM MODELO DE HOMEM

UM MODELO DE HOMEM
Falta homem no mercado! Desabafa uma voz numa mesa de bar enquanto seus olhos percorrem o ambiente. Hoje é comum, em plena era do consumismo, ouvir de bocas encarnadas de batom esta expressão. Ora, mas falta homem porque há mais mulheres no mundo ou por que o homem, no seu sentido mais viril, anda escasso?
E que modelo de homem essas ávidas mulheres procuram? Aquele herói de capa e espada dos antigos românticos? O homem de aço disfarçado com seus óculos, mas capaz de reverter o tempo para salvar sua amada? O arquétipo de terno e gravata dos bem sucedidos escritórios? Talvez aquele tipo malhado das academias e muitas vezes vazio? Ou quem sabe aquele que traz carteira cheia e as chaves do carro nos bolsos?
Na visão de algumas mulheres o homem moderno é como um novo carro: tem que ter um design moderno; tem que ser arrojado, mas capaz de ser flexível e macio, e sem ser meloso demais. Tem que ser boa pinta, sem dar pinta – por favor! Pode fazer as unhas, pintar os cabelos, ser depilado... mas não seria um metrossexual? No entanto, esse homem tem de ter pegada, afinal ele tem de ser bom “naquilo”.
E como conquistar esse homem, visto que as cobranças femininas são cada vez maiores. Se nós somos sensíveis, abrimos a porta do carro e oferecemos flores – somos educados demais – Acho que ele é gay! Ela afirma desiludida.
Se o homem é durão, quer dividir a conta da pizzaria, e não diz palavras de amor. Troca tudo por um futebol e uma cerveja com os amigos... É um troglodita e machista, declara.
Como me equilibrar nesse modelo? Confesso que não sei. Esse homem ideal não será encontrado em feiras, mercados ou baladas, mas se estivesse disponível nas prateleiras por onde passasse, a caçadora  estaria com sorte. Ou quem sabe no mundo virtual, expressão atual do faz de contas, ele surge como um príncipe para alguns dias depois virar um sapo.
Se ele liga no dia seguinte é pegajoso! Se ele não liga é um aproveitador. Quem entende essas mulheres? Declaro que não as entendo. Se ele a procura na cama é possível que ela esteja com dor de cabeça e se não a procura, está com outra... choraminga ela.
Ser homem no mundo dominado por mulheres tornou-se um desafio, porque a combinação beleza, carro, boa profissão e barriga tanquinho – coisa que não possuo  - é modelo exigido; no entanto, a perfeição é difícil de ser encontrada. Nesse caso, para que não falte o “produto” no mercado, minha cara senhora, pegue o que tiver em liquidação na prateleira mais próxima, e vá agregando a ele alguns acessórios, e quem sabe um dia, o sapo, após o beijo, possa virar o seu príncipe. 

domingo, 30 de setembro de 2012

VAZIO




Lá longe o frio corta a cidade
Deixando a paisagem romântica
E os corpos em busca de calor.

Lá longe a neblina cobre as casas
Escondendo tantos desejos
Que mãos entrelaçadas anseiam.

Aqui perto, o frio chega a meu corpo
Entorpecendo meu coração
Que desacredita em tantos sonhos.

Aqui perto, a neblina esconde a felicidade
E eu sigo andando na estrada infinita
Colhendo as gotas de orvalho da noite

Ouço em silêncio as músicas no rádio
A tocar tantas sinfonias de amor
Enquanto o frio e a neblina da cidade
Revelam um misto de calor e dor.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

AMIGO




Amigo não se improvisa
Chega, deixa marcas no coração,
Ganha espaço, se mobiliza.
Sabe acolher, e aconselhar,
Estender a mão, compreender em um só olhar.

Amigo é porto seguro.
É a certeza de não estarmos sós
Mesmo quando o mundo quer desabar sobre nós,
a querer nos transformar em pó.

Amigo é ser fraterno,
supremo, dom extremo de amor.
É o que se faz eterno, presente,
E diminui a nossa dor existente.

Amigo é confiança, é crença!
É aquele que compreende todas as nossas falhas,
contabiliza nossas vitórias,
e mesmo diante de uma ofensa,
reconsidera, e nos apóia.

Amigo... que ser é esse tão digno?
Tão sublime, tão mágico?
A ponto de nos fazer mais fortes,
e apontar novos rumos, nortes,
que delineiam nossos horizontes!

No seu coração há uma porta sempre aberta,
um ponto de partida,
pronto para sanar todas as nossas feridas
e acolher-nos em cada descoberta.

Amigo, criação divina,
que ilumina, encanta, conduz...
É a força de Deus... é sempre, e sempre, a luz que nos conduz!

domingo, 1 de julho de 2012

A outra face


Ele se desnudou frente ao espelho.
Contou todos os seus segredos
Que entulhavam em sua alma.
Fez do espelho seu confidente,
Seu amante, seu companheiro.
 Entregou-se por inteiro àquela relação.
Mas, como sempre, sabia
Que tudo não duraria mais que um encontro
Por ser tão instável o tempo da paixão.
Na frente do espelho diáfano
Desfrutou de todo o prazer
E viu sua imagem refletida,
Sentida, solitária, prestes a desaparecer.
Não haveria outro encontro na tarde seguinte
Nem troca de imagens em soslaio
E seu coração bateria no compasso da ausência
Pois a intrusa presença seria apenas percebida
Nos veios do pensamento como ilusão.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O outro dia


A noite se dissolveu com os primeiros raios.
O corpo ao lado, exaurido pelo prazer,
Desperta sonolento no lençol sobre o colchão.
A doce ilusão que o encontro se repetiria
Foi-se no decorrer do dia,
Na estrada que se perdia no campo da visão.
Tomou o vazio como o seu alento
Pois dentro de si, sabia,
Que daquela boca tão cedo não ouviria
Palavras quentes de amor.
Com o tempo se acostumou
A não ter consigo aquela imagem
Do sorriso-meninice, perdido no quarto,
Atrelado a outro corpo, exalando paixão.