quinta-feira, 20 de agosto de 2020

INABILITADO

 

Tem dias que o sol parece se esconder entre as nuvens

E uma enxurrada toma conta de nossos caminhos.

Aquilo que acreditamos ser nosso destino

Transporta-se para o desatino de desencontros.

Tem dias que os sonhos não se concretizam

Por mais que lutemos e os coloquemos como prioritários;

Por mais que invoquemos todos os nossos esforços.

Tem dias que acreditamos na nossa competência, nas pessoas;

Acreditamos que somos insuperáveis, infalíveis...

E a vida nos dá rasteira, te prova o contrário

E a toalha saída do armário está pronta para ser jogada.

Tem dias que percebe que não é super herói, nem salvador do mundo.

Não é insubstituível, nem dono da verdade.

Que você se cobra muito, quer perfeição...

E percebe que tudo, se não acontece, é mera ilusão.

Tem dias que não contam sua experiência, sua visão.

Que seus projetos, embora longevos, são efêmeros,

Basta um deslize e tudo para, se perde, se inabilita

E você grita, urra, mas ninguém escuta... só você, no seu silêncio.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

A guera invisível


O medo chegou!  Fecharam-se as portas! Abriram-se janelas!
Palcos vazios...
Artistas ilhados, isolados, parados!
Telas virtuais. Lives!
Distanciamento, isolamento, confinamento...
Quantas mortes, meu Deus!!! Choram os filhos da pátria mãe gentil.
Mortandade... em qualquer idade!
Ocupação, lotação, superlotação!
Caos em mutação! Omissão!!!
Indignação... indignada... nação em abandono
Órfã...
Com máscara.
Sol... solidariedade... dignidade
Sonoridade de panelas que batem em protestos
E palmas aos que estão em avant gardem.
Parar... parado... ficar... ficar em casa
Para achatar a curva
E não derrapar com o carro
Descendo a ladeira abaixo
Proteção, proteger, evitar!
Não à multidão!
Mas quanta gente sem razão!
Loc down!!! Down em mim!
No meio do choro de uma multidão
No meio da praça,
Para a sua claque de riso frouxo
Sem máscara, Um insano grita!
E daí?

sexta-feira, 1 de maio de 2020

HORA ÚNICA



...
O manto escuro da noite
Cobre de silêncio a cidade.
Lá longe uma luz me seduz
Faz com que eu caminhe
Por trilhos nunca imaginados.
Vou só, procurando-te ao longe!
Quero encontrar-te neste silêncio,
Nesta hora única de solidão e dor.
A luz se aproxima de meus olhos;
Uma neblina a envolve
Tornando-se uma nuvem cor de rosa.
Um ser, de braços abertos,
Avisto à distância,
Mas a nuvem o envolve lentamente...
Continuo seguindo sozinho.
Agora estou mais próximo do que nunca:
Sei que vou encontrar-te
E poderei roubar-te beijos.
Sim, esta luz está neste instante em mim.
Estou envolvido pelo teu perfume
Pelo teu amor...


terça-feira, 31 de março de 2020

O silêncio das palavras



Todo o meu corpo anseia
E procura por ti.
Quero-te na ânsia louca
De nossos abraços
Marcar mais um compasso
De nossos beijos
Formando um canção.

Quero o silêncio das palavras,
Nossa cama molhada
Revelando exaustão.

Quero o chão, a poeira,
Nossos corpos na esteira
Ou quem sabe em combustão.

E no vai e vem de nossos corpos
Descobrir que a cada dia
Quero e posso
Amar-te sempre mais
Envolvendo-te, oh, poesia!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Se eu pudesse...







Se eu pudesse, te sequestrava
Te levava para um lugar distante
E passearíamos de mãos dadas pelo campo
Vendo as estrelas no céu...
Se eu pudesse, te seguraria pelas mãos
Te tocaria com o silêncio do meu coração
E da tua boca roubava um beijo
Na comunhão mais perfeita  sentida pelos meus lábios.
Seu eu pudesse, levaria comigo esse teu sorriso
Teu olhar menino, jeito travesso
Tua pele de cor da lua
Tua beleza tão nua, para perto de mim.
Se eu pudesse...

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O outro dia


A noite se dissolveu com os primeiros raios.

O corpo ao lado, exaurido pelo prazer,

Desperta sonolento no lençol sobre o colchão.

A doce ilusão que o encontro se repetiria

Foi-se no decorrer do dia,

Na estrada que se perdia no campo da visão.

Tomou o vazio como o seu alento

Pois dentro de si, sabia,

Que daquela boca tão cedo não ouviria

Palavras quentes de amor.

Com o tempo se acostumou

A não ter consigo aquela imagem

Do sorriso-meninice, perdido no quarto,

Atrelado a outro corpo, exalando paixão.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

DA FUGACIDADE DO MOMENTO

Há pessoas que surgem em nossas vidas
Rouba-nos um sorriso, um abraço,
E no embaraço de um momento,
Desaparecem no acaso, deixando-nos ao relento.

Pessoas que nos mostraram num segundo
O quanto belo poderia ser o mundo
E que, no entanto, se diluem nas estrelas
Mesmo que em suas certezas incertas
Fossem apenas promessas de reencontros.

Por que elas fogem, desaparecem, escondem-se?
Nossos corações e mentes não conseguem isso alcançar,
Pois tão frágil é a fé nas pessoas, nesse ato de acreditar,
Que somos iludidos nesse frívolo encantamento.

Então, começamos uma busca desconexa e de radar
Nas ruas, praças, baladas,  mercados e bares
Procurando em cada olhar, o olhar de encanto
Que nos propiciou fugazes momentos de felicidades.

Percebemos que a perenidade do encontro
É mera projeção de nossa mente sedenta
De minutos de prazer, carinho, amizade,

Marcados pela sensação do eterno enquanto dure.